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O Frio
Pela manhã algo diz para mim: “Não saias daí, não ouses desafiar, te farei sofrer a maior tortura que poderias sentir...”.
Mesmo assim depois de relutar, saio debaixo daquele lar de conforto que são minhas cobertas para enfrenta-lo.
O frio cortante ataca meus ossos, parece gelar meu coração, a água que molha minhas mãos às transforma em pedras, membros se tornam inúteis, a tremedeira assume o controle de meu corpo. O frio não se cansa, a água em meu rosto parece se infiltrar como pequenas agulhas e ao cair leva com ela minha alma. O terrível choque congela meu corpo, minha pele branca mostra que meu sangue fugiu para algum lugar que ainda deve estar quente em mim ou já deve ter congelado.
A estagnação alcança minha mente, ao sentar em frente ao computador meus dedos não se mexem, sem querer digitar nada, sem ter nada para digitar. Onde está todo o trabalho que devo fazer? Onde ele se escondeu? Será que foi congelado também? Tenho a impressão de que sim e está se acumulando em cima de minha cabeça, como uma grande massa de neve, esperando um grito, esperando mais e mais neve para descer a montanha em forma de uma avalanche que irá me engolir e terminar com isso.
Escrito por Caio às 14h42
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